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Porque Amar Demais é Sofrer Demais? Porque Não É?

Porque Amar Demais é Sofrer Demais? Porque Não É?

Este é um dos textos mais densos que escrevi desde o lançamento do blog. Não pretendo, com ele, falar sobre todas as nuances do amor. Apenas quero ressaltar dois pontos recorrentes e essenciais na construção de um relacionamento amoroso. Ele foca apenas um aspecto restrito do amor. Vale pra levantar uma discussão importante, a respeito de casais, principalmente.

Recebi esse post como pedido de uma das leitoras deste blog, e o tema me pegou pelo pé. Eu, particularmente, sofri com esse tipo de padrão. Tão simplesmente por isso resolvi postá-lo. Apesar de denso, não se destina a ser um tratado.

Pois bem. Comecemos.

O Amor e As Bilhões de Pessoas em Dor

Todos os dias, uma verdadeira aldeia global justifica seu sofrimento com a palavrinha ‘amor’. Mães sofrem pelo futuro dos filhos. Amantes sofrem pela pessoa que ama. Cristo sacrificou-se voluntariamente, impondo-se o sofrimento por amor a toda a humanidade, segundo o que foi escrito na Bíblia.

Quando você ama demais, quer que a pessoa viva o melhor que ela pode viver. O melhor que você sabe que ela pode ter para si. Você sente uma dor quase física quando alguém que ama toma uma decisão que não é a melhor de todas. Quando, claramente, é a escolha menos saudável a se tomar.

As pessoas se importam. As pessoas cuidam. As pessoas querem ajudar. As pessoas se preocupam. O amor que você sente por alguém te leva à necessidade de contribuir. Na iminência de uma opção desastrosa, a gente sempre se compadece de quem toma a decisão ruim. A dor parece ser sempre diretamente proporcional à quantidade de amor que você deposita na vida do outro.

O Que Há Nas Entrelinhas do Que o Amor nos Traz?

Existe uma dor “primordial”, que vem da nossa experiência sensorial em um plano marcado pela separação, pela dualidade “eu, não-eu”. Isso não agrada nossos sentidos. A percepção de que existe um mundo muito maior do que nós do lado “de fora” da gente cria uma necessidade intrínseca de desenvolver e expandir nosso ser.

A maneira mais essencial de “expandir” nossa existência e nos tornarmos maiores, mais importantes e menos efêmeros é através do desenvolvimento da nossa ligação com pessoas que nos compreendem neste plano material, de “isolacionismo”. Para contrariar o que os nossos sentidos nos dizem de maneira tão gritante, precisamos de pessoas que compreendam e compartilhem dos nossos pontos de vista, das nossas pequeninas particularidades. Pessoas que digam que até nossas mais delicadas ou superficiais incertezas sejam merecedoras de atenção. A atenção é o meio pelo qual nos percebemos pequenos, e também o único meio de expandir quem somos.

Quando percebemos que estamos sendo acariciados pelos braços do amor, dessa validação do outro, sentimos muito prazer. Um prazer indizível, que só quem sente é capaz de definir, mas nunca em palavras. Um prazer que remete à paz, à felicidade. O prazer divino do amor entre as pessoas, que existe e pode ser sentido em alguns momentos, com muita intensidade. Basta você estar preparado, e todo mundo está, em algum momento. Talvez agora, quem sabe?

Como Obtemos Prazer da Matéria?

A quantidade de prazer nas nossas vidas é aumentada também pela quantidade de controle que temos sobre o contexto material onde vivemos. Se a percepção do universo à nossa volta melhora em qualidade, nós nos tornamos mais felizes, porque percebemos essa melhora como sinal do nosso domínio sobre o universo que tenta nos impor a separação.

Se você melhora suas condições e seus hábitos, isto significa que você é capaz de subjugar a realidade que tenta lhe impor o desprazer da separação, ou o descontrole, o “não-eu”. Através de escolha e interação física, você manifesta sua conexão também com o plano material. Molda-o à semelhança de quem você é por dentro. Esta é a função da estética e da beleza nas coisas da vida: uma maneira de manifestar sua porção divina sob a Criação – venha ela de onde vier.

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Como o Amor se Liga à Realidade?

O aumento do nosso prazer é um objetivo definitivo na nossa vida. Queremos sempre ter mais dele – seja desenhando o mundo material à nossa vontade, seja aumentando o grau de conexão entre nós mesmos e o próximo.

Quando você intensifica sua ligação com outra pessoa, é natural que o seu contexto, ou a sua realidade, seja compartilhada com ela. Vocês passam a se encontrar mais vezes, frequentando os mesmos lugares e compartilhando conversas, significados e até hábitos.

O aumento da conexão, naturalmente, causa o compartilhamento de objetivos e ideais. Você quer viver com o outro o melhor contexto possível do seu amor. Quer melhorar junto com o outro. Quer profundamente que o outro melhore também, em todas as suas decisões. Estar com alguém “melhor ainda” é também ser alguém melhor ainda.

Na presença da possibilidade de mais prazer, você se torna mais motivado, ou mais motivada a interagir com o outro, na direção de seu aperfeiçoamento. Com seus sentidos fixados em um cenário melhor do que o atual, você passa a ser uma peça ativa na provocação do desenvolvimento do outro: encorajando, demonstrando, comunicando e até em alguns momentos conduzindo o outro na direção de uma posição superior à atual.

É precisamente nesse momento que a dor pode atuar, ao invés do prazer.

Como Entender a Mecânica da Dor no Amor?

Nós estamos sempre dispostos a manter as relações nas quais nos investimos, em especial aquelas que nos trazem o sentimento de conexão, de importância, do sublime prazer que prove que os nossos sentidos carnais estão errados. De que somos, sim, muito maiores do que percebemos. Não preciso me explicar pra você, isso é simples e profundo. Você já sabe disso.

Pelo mesmo motivo, se entendemos que certas escolhas podem tornar o contexto do relacionamento melhor, isto é sinal de que podemos ter mais prazer. Ora, se já temos prazer em um relacionamento, porque não ter mais um pouquinho? O que custaria você ajudar aquela pessoa que você tanto ama a alcançar um pouquinho mais em sua vida, ou deixar alguma mania prejudicial? Segundo esta hipótese, nos agarramos à possibilidade do ‘se tiver mais prazer ainda, poderá haver mais amor ainda’.

A Fuga Para Um Presente Falso

O movimento inicial da dor acontece quando refletimos sobre a possibilidade de toda essa conexão divina simplesmente deixar de existir. Será que essa pessoa me ama? Será que vai continuar comigo? E se ela já estiver me traindo?

A mera suposição deste cenário é mais do que suficiente para motivar a insegurança aguda, em alguns casos. As pessoas saem do estado real do amor que existe para reagir a fim de evitar o estado irreal do relacionamento, aquele que até então não existiu.

Geralmente, essa motivação vem de algumas verdades distorcidas e generalizações na nossa cabeça. Coisas como “todos os homens traem”, ou “se minha última namorada me traiu, essa aqui também vai trair” ou ainda “ele tem um passado ruim deve continuar igual” e “ela já me traiu, vai trair novamente”.

O que ela causa? Excesso de controle, e te impede completamente de aproveitar o agora, que é o que de fato existe. Essa é uma distorção baseada em memórias passadas, pela falta de perdão ou de confiança que as pessoas possam realmente melhorar. Quem acredita que o ser humano não pode melhorar, e muito rápido, torna-se completamente incapaz de acelerar sua própria evolução. Por isto temos tantas pessoas bloqueadas para mudanças: sua própria crença sobre a natureza humana motiva e sustenta com bases ultra-fortes o seu bloqueio.

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O Outro Está Jogando Fora Um Futuro Perfeito

O segundo movimento acontece quando o que você acredita ser a melhor decisão em um curso de ação não é a melhor decisão que a outra pessoa vê, por mais que você esteja obviamente certo. Vamos assumir que você eteja.

Este segundo movimento causa pensamentos reativos, do tipo “meu filho não quer nada com a vida”, ou “minha namorada tem a cabeça vazia”. Isso também dói. Dói muito.

Ter o cenário da sua “perfeição” se afastando da realização causa a sensação de perda do prazer que pode ser proporcionado por aquela perfeição. E perda de prazer também reflete em dor.

O ponto cego, nesse caso, é que você esquece completamente o presente maravilhoso que você já vive com aquela pessoa. Esquece de reconhecer como é bom o presente do lado dela. E como é bom estar ao lado para apoiá-la partindo do princípio que ela tem liberdade em suas escolhas.

Como o Amor Poderia Justificar o Rompimento?

Viver nestes dois cenários dolorosos podem claramente fazer você perder suas estribeiras. Nossa psiquê faz de tudo para nos afastar da dor. Se você toma estes dois movimentos como absolutos e começa a viver em dor, seu corpo se motiva a fazer algo para resolver este incômodo.

Para o primeiro movimento, naturalmente, o controle excessivo causa dor na pessoa que você ama. Ela, em dor, manifesta sua insatisfação com o relacionamento, e você sente mais dor ainda. Com uma pequenina distorção motivando sua primeira atitude de ciúme, você promete que vai melhorar, mas curiosamente nunca consegue, porque vive atormentada pelo fantasma da traição. Do “isso que está acontecendo é bom demais pra ser verdade”.

As insatisfações acumuladas e trocadas, naturalmente causam mais dor ainda. A única reação possível para o retorno ao prazer é o rompimento.

Para o segundo movimento, uma opinião ruim que começa a se cristalizar na sua mente a respeito da pessoa que você ama causa dor. A associação com algo que não é perfeito causa muita dor, que motiva a mudança. Essa dor é motivo o suficiente para você começar a pensar: eu não quero ficar com uma pessoa que toma esse tipo de atitudes, ou que tem esses costumes. Não vai ser bom pra mim.

A Dor é Sempre a Causa do Rompimento, Não o Amor

A insatisfação e o desconforto criados por estes dois cenários, naturalmente, se refletem nas atitudes do dia a dia: menos carinho, menos afeto, menos atenção, portanto, mais desconexão.

Quanto maior a desconexão, maior a dor, e isto motiva o rompimento. Porém, desligamentos doem, muito. Não vou me estender pelos motivos, você já sabe deles. Quando você vislumbra o rompimento, você sente mais dor ainda. O que você já possuía (e que teoricamente já não valia a pena) não pode mais ser.

No entanto, para evitar a dor da separação, pode ser que ninguém dê o primeiro passo. Isso pode motivar o cenário do “casal apático”, onde ninguém se fala, ninguém se acaricia, ninguém coloca um ponto final na relação e as traições são precipitadas, porque alguém começa a buscar pelo prazer fora da relação.

É fato: em meio a uma relação conturbada, nós buscamos prazer fora dela: seja com outra pessoa, seja com uma conexão sensorial extra com o mundo (comida, trabalho, acúmulo ou gasto excessivo de dinheiro, violência, bebida, auto-corrupção, cigarros etc).

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Naturalmente, todos esses excessos tem seus efeitos sobre a nossa saúde. Tornamo-nos completamente insustentáveis para nós mesmos.

Se, nessa espiral de crenças e distorções, ninguém fizer uma mudança nos seus pensamentos, nada se mantém, simplesmente porque a dor se torna insuportável.

Quem Disse Que Você Está Certo?

Vivemos em um mundo com incontáveis estrelas, e um universo infinito. Mediante tantas possibilidades, todas elas completamente fora da nossa capacidade de compreensão, de onde é que é que a gente tira tanta certeza para afirmar certas coisas?

Quem nos dá autoridade para dizer que “homens traem”, ou que “meu filho não sabe o que quer”? A única pessoa que teria esta capacidade seria Deus, criatura onisciente e onipotente, como ilustrado pelas religiões.

Mesmo assim, não importa em qual religião você busque. Em todas elas, a manifestação de Deus só nos encoraja a fazer uma única coisa: amar. Amar no presente. Nós não podemos estreitar nossa visão a fim de pintar cenários que são possíveis, mas que não são prováveis. Precisamos nos libertar desses pensamentos corruptos. Precisamos varrer nossa casa. Precisamos nos visitar. Entrar, limpar com cuidado as distorções que construímos, e nos liberar pra viver uma única coisa: o agora.

Afinal, o Amor Faz Sofrer?

O amor não faz sofrer. O medo de perdê-lo é o que faz. Na presença do exercício do amor, o medo não existe. Na presença do exercício do medo, o amor não se realiza.

Sua cabeça é capaz de dirigir a atenção a uma coisa de cada vez. Você quer experienciar o amor que você tem e se tornar cada vez maior, ou você quer experienciar o fantasma do medo, e diminuir a sua pessoa?

Partindo do estado do amor puro e presente, que é o que existe, você vai encontrar todas as razões para construir uma atitude de encorajamento no crescimento do outro. Sem esse estado, certamente o que você vive não é amor, portanto o que você entrega não é o amor. As atitudes fora do amor são todas constritivas, restritivas e destrutivas. Dentro dele, todas elas são construtivas, sustentáveis e agradáveis. Não importa na presença de quem, esta pessoa sempre se sentirá confortável quando você parte de um estado emocional equilibrado, carinhoso, aberto e convidativo.

Espero que esta leitura tenha sido construtiva pra você. Tudo isso é só uma maneira de dizer: trate muito bem quem está do seu lado. Essa pessoa merece.

Uma das ferramentas cruciais para realizar essa mudança de amar sem sofrimento é a compreensão das nossas emoções. Se você está pronto para entender se é capaz de transformar as suas, então você pode aprender mais na ferramenta de autoavaliação online que eu disponibilizei no link a seguir:

Você sabe controlar suas emoções?

Abraços fraternos,
Rodrigo Santiago – Coach
Co-Fundador do Movimento Espalhe o Amor

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Rodrigo é co-fundador do Movimento Espalhe o Amor, com mais de 1 milhão de fãs nas mídias sociais. Com mais de 1500 horas de experiência atendendo clientes individualmente e treinamento em várias cidades do Brasil, Rodrigo é capaz de levar praticamente qualquer pessoa a conquistar o domínio sobre suas próprias emoções em situações complicadas, utilizando para isso apenas o diálogo. É referência entre os profissionais da área e membro do time de liderança da International Society of Neuro-Semantics (ISNS) - uma organização presente em mais de 60 países que redefiniu o que é Desenvolvimento Humano.

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